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O QUE TEMOS PARA OS JOVENS DA PERIFERIA?

O Brasil ainda não esqueceu da morte da menina Agatha Félix, de apenas 8 anos, ocorrida no Rio de Janeiro em setembro de 2019, episódio agravado pela tentativa, por parte de policiais, de retirarem do Hospital onde a menina fora atendida a bala que a matou, possivelmente para impedir a realização de perícia, conforme amplamente noticiado por órgãos conceituados da imprensa nacional. Agatha não é um caso isolado. Só em 2019 outras 4 crianças foram mortas por balas perdidas no Rio de Janeiro onde, segundo a ONG Rio de Paz, nos últimos 12 anos, 57 crianças morreram em decorrência de disparos de armas de fogo somente naquele Estado. A morte de crianças é, talvez, a face mais comovedora desta matança, mas não a única. O assassinato de jovens da periferia, quando inclui adolescentes (entre 12 e 18 anos) e adultos jovens assume a feição de um verdadeiro genocídio, que choca e ultraja qualquer sentimento de humanidade e civilização, pela expressividade de seus números, constituindo-...

ONDE ESTÃO MEUS ALUNOS(AS)?

No início foi bom, quando as turmas nas salas de aula deixaram de ter 60 ou mais alunos, como ocorria com tanta frequência nas décadas de 1980 e 1990, no IME Centro e no Colégio Estadual de Ilhéus, e passaram a ter cerca de 45. Com algo em torno de 40 pessoas as salas ficavam cheias, lotadas, mas tinham capacidade para acomodar àqueles que buscavam na Escola uma forma de avançar na batalha da vida. Em uma turma de segundo grau, ou ensino médio, quando temos cerca de 45 adolescentes e/ou adultos jovens e mais algumas pessoas com mais idade, porém todos focados na aprendizagem, pode-se trabalhar bem quanto ao desenvolvimento da aula, embora haja uma sobrecarga quanto à correção de provas e trabalhos e ao lançamento das notas na caderneta. É suportável, sem ser contraproducente. Ocorre que aqui em Ilhéus, tanto nas escolas estaduais quanto nas municipais, de cerca de 15 anos para cá, começou a haver um esvaziamento progressivo das salas de aula, paralelamente a inúmeros outros pr...

A FELICIDADE DOS OUTROS INCOMODA OU É RACISMO MESMO?

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A necessidade de nos conduzirmos de forma equilibrada nos faz pensar antes de agir e, às vezes, esperar um pouco para não atuar sob o império absoluto da emoção, que pode fugir ao controle. Por isso, foi necessário deixar passar algum tempo para que os fatos se consolidassem e as ideias e emoções pudessem se firmar no patamar devido, para só depois escrever sobre o episódio recente do veto do Presidente Bolsonaro acerca da propaganda do Banco do Brasil que ele, no mês de abril de 2019, se deu ao trabalho de fazer pessoalmente. O comercial, destinado sobretudo à mídia televisiva, já vinha sendo amplamente veiculado e trazia a maioria de atores jovens, com cerca de 50% deles negros, com roupas e atitudes típicas de jovens, vivendo a empolgação de abrir, via aplicativo de celular, uma conta no Banco do Brasil. Bolsonaro não se limitou a retirar a propaganda do ar: mandou demitir o diretor de Comunicação e Marketing do Bando do Brasil, Delano Valentim, e determinou que a Secr...